O que foi a pesquisa

A pesquisa realizada pelos alunos de TI da Faculdade Estácio de Sá unidade Barreiro, consistiu numa análise de Big Data sobre o comércio varejista de Minas Gerais. Esse gigantesco volume de dados fica disponível na plataforma do IBGE. Porém eles precisam ser "garimpados", ou seja, a informação de interesse deve ser filtrada, armazenada e analisada pelos interessados. E esse trabalho foi realizado pelos alunos, que se dividiram em grupos, cada um estudando um setor distinto. O período escolhido foi entre 2020 e 2025. Como ferramenta, eles utilizaram o Python - uma poderosa ferramenta de manipulação de grandes volumes de dados, com bibliotecas diversas para manipulação de arquivos, confecção de gráficos etc.


Hipermercados, supermercados e produtos alimentícios

Entre os anos de 2020 e 2025, o gráfico apresenta oscilações no volume de vendas do setor de hipermercados, supermercados e produtos alimentícios em Minas Gerais. Essas variações foram influenciadas por fatores como pandemia, inflação, desemprego, recuperação econômica e comportamento do consumidor ao longo dos anos. Em 2020, o setor sofreu forte impacto da pandemia da COVID-19. O início do ano teve queda nas vendas devido às despesas comuns de janeiro, mas entre abril e julho ocorreu crescimento significativo. O isolamento social aumentou o consumo de alimentos e produtos básicos, já que as pessoas passaram mais tempo em casa. Além disso, o auxílio emergencial ajudou a manter parte do consumo. No final do ano, as vendas cresceram novamente por causa das compras de Natal e Ano Novo. No ano de 2021, a economia ainda enfrentava dificuldades causadas pela pandemia. A inflação dos alimentos aumentou e reduziu o poder de compra da população. O desemprego e o endividamento fizeram muitas famílias priorizarem apenas produtos essenciais. Por isso, o gráfico apresenta vários meses de queda e pouca recuperação durante o ano. Em 2022, foi possível perceber início de recuperação econômica. Apesar de alguns meses negativos, houve melhora gradual nas vendas devido à retomada das atividades econômicas e maior circulação de pessoas. Os meses finais tiveram crescimento mais forte, impulsionado pela Black Friday, Natal e compras de fim de ano. O ano de 2023 apresentou maior estabilidade e crescimento mais consistente. O consumo das famílias aumentou em vários meses, mostrando melhora da confiança do consumidor e maior equilíbrio econômico. Os maiores resultados ocorreram principalmente entre agosto e dezembro, influenciados pelas vendas de fim de ano e pelo décimo terceiro salário. Já em 2024, o gráfico demonstra maior irregularidade, alternando períodos de crescimento e queda. O início do ano foi positivo, porém a inflação, o aumento das dívidas e a redução do poder de compra afetaram o consumo ao longo dos meses. Mesmo assim, houve pequenas recuperações em determinados períodos. Em 2025, os dados mostram uma recuperação mais lenta e moderada. O consumo permaneceu relativamente estável, mas sem grandes aumentos. A cautela financeira das famílias continuou influenciando diretamente o setor supermercadista. De forma geral, o gráfico demonstra como fatores econômicos e sociais impactam diretamente o comportamento de consumo da população mineira ao longo dos anos analisados


Tecidos, vestuário e calçados

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Móveis e eletrodomésticos

Em 2020, o setor de móveis e eletrodomésticos sofreu um forte impacto devido ao início da pandemia da COVID-19. Com o fechamento temporário do comércio, aumento do desemprego e insegurança financeira das famílias, as vendas apresentaram uma queda significativa, principalmente entre março e abril. Nesse período, muitas pessoas passaram a priorizar apenas despesas essenciais, reduzindo a compra de bens duráveis. Porém, ao longo do segundo semestre, o mercado começou a se recuperar gradualmente. A necessidade de adaptação das residências para o home office, estudos e lazer dentro de casa aumentou a procura por móveis, televisores, geladeiras e outros eletrodomésticos. Além disso, o crescimento das vendas online e o auxílio emergencial ajudaram a impulsionar novamente o consumo. Em 2021, o gráfico demonstra um crescimento bastante expressivo nas vendas, especialmente nos primeiros meses do ano. Esse aumento está relacionado à retomada gradual da economia, ao avanço da vacinação e ao retorno da confiança do consumidor após o período mais crítico da pandemia. Muitas famílias aproveitaram o momento para trocar eletrodomésticos antigos, reformar ambientes e renovar móveis da casa, impulsionando o setor. Entretanto, no segundo semestre, o cenário começou a mudar devido ao aumento da inflação, alta do dólar e crescimento das taxas de juros. Como grande parte das compras desse setor depende de parcelamento e crédito, o encarecimento do financiamento reduziu o poder de compra da população e provocou desaceleração nas vendas. No ano de 2022, o mercado enfrentou um período mais difícil, marcado por retração no consumo e predominância de resultados negativos ao longo de vários meses. O aumento contínuo da taxa Selic elevou os juros do crédito, dificultando ainda mais as compras parceladas de móveis e eletrodomésticos. Além disso, muitas famílias já haviam realizado grandes compras durante os anos anteriores, reduzindo a necessidade de novas aquisições. A inflação elevada, o aumento do custo de produção e o encarecimento dos fretes também contribuíram para o aumento dos preços finais dos produtos, diminuindo ainda mais o consumo. Mesmo assim, datas promocionais como Black Friday e fim de ano ajudaram a gerar pequenas recuperações nas vendas. Em 2023, o setor começou a apresentar maior estabilidade em comparação aos anos anteriores. Apesar das oscilações negativas ainda existentes, percebe-se um mercado menos instável, impulsionado pela desaceleração da inflação e pela melhora gradual do mercado de trabalho. Ainda assim, os juros permaneceram elevados durante boa parte do ano, limitando o acesso ao crédito e reduzindo a capacidade de compra das famílias. Nesse cenário, as empresas passaram a investir mais em promoções, campanhas digitais e vendas online como estratégia para estimular o consumo e manter a competitividade no mercado. Já em 2024, observa-se uma recuperação mais consistente do setor, com tendência gradual de crescimento nas vendas ao longo do ano. Esse cenário pode estar relacionado à melhora das condições econômicas, à expectativa de redução das taxas de juros e à retomada gradual da confiança do consumidor. Além disso, muitos consumidores entraram em um novo ciclo de renovação de móveis e eletrodomésticos, substituindo produtos adquiridos durante a pandemia ou trocando equipamentos antigos. Datas sazonais, como Black Friday e Natal, também contribuíram para impulsionar os resultados positivos observados em determinados meses. Por fim, em 2025, o gráfico demonstra um cenário mais equilibrado e estável para o setor de móveis e eletrodomésticos. Após anos de fortes oscilações causadas pela pandemia, inflação e juros elevados, o mercado aparenta ter alcançado um ponto de maior equilíbrio. O consumidor passou a comprar de forma mais consciente, priorizando produtos com maior durabilidade, eficiência energética e melhor custo-benefício. Ao mesmo tempo, a possível redução gradual das taxas de juros tende a estimular novamente o crédito e os parcelamentos, favorecendo um crescimento moderado e mais sustentável das vendas ao longo do ano..

Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos

O gráfico abaixo mostra a variação do consumo de vendas do setor de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos durante os anos de 2020 a 2025. Segue abaixo a conclusão da análise de cada ano: ● 2020: O início da pandemia no Brasil impactou bastante o comércio no setor em debate. No mês de Março, em que os casos do coronavírus começaram a aumentar exponencialmente, houve também um crescimento exacerbado no consumo de medicamentos e vitaminas, devido ao sentimento de medo e desespero nas pessoas, que as levavam a estocar esses produtos. Ao longo dos meses, a venda desses itens apresentam quedas e aumentos, uma vez que a demanda por medicamentos e aparelhos médicos aumentam, mas perfumes e cosméticos não estão disponíveis para comprar ● 2021: Em 2021, as vendas começam baixas, entretanto, a partir de Abril, elas aumentam bastante. Isso coincide com o fato de que a segunda onda do coronavírus se inicia no mesmo período. Com o passar dos meses, o consumo de produtos se reduz lentamente. ● 2022: Os casos de covid-19 reduziram bastante no Brasil e no mundo, refletindo diretamente no consumo das pessoas. Neste ano, a normalização do setor se iniciou. ● 2023: A regularização no consumo de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos está cada vez mais forte. Neste ano, o mês de maio ganha destaque por ser o mês comemorativo do Dia das Mães. ● 2024: No ano de 2024, as piores taxas de venda estão predominantemente nos meses finais. Isso ocorre, principalmente, pelas pessoas que viajaram para fora de Minas Gerais e pela desaceleração natural depois de meses de crescimentos. ● 2025: O segundo semestre de 2025 apresenta um aumento significativo, isso se deve a diversos fatores, como o envelhecimento da população, maior preocupação com o bem-estar e expansão das redes de farmácia e vendas online.

Livros, jornais, revistas e papelaria

No gráfico abaixo vemos que entre 2020 e 2025, o setor de papelaria, livros e jornais apresentou forte volatilidade, influenciado principalmente pela pandemia da COVID-19, pela digitalização do consumo e pelas oscilações econômicas. Em 2020, ocorreu o pior desempenho da série, com quedas intensas devido ao fechamento de escolas, paralisação do comércio físico e redução da circulação de pessoas. O segundo trimestre foi o mais crítico, atingindo retrações superiores a 60%. Em 2021, o setor iniciou ainda fragilizado, mas apresentou forte recuperação a partir do segundo trimestre, impulsionada pela vacinação, reabertura do comércio e retorno gradual das aulas presenciais. O crescimento continuou em 2022, especialmente no início do ano, com a normalização das atividades econômicas e escolares. Contudo, inflação, juros altos e os impactos da Guerra Rússia–Ucrânia reduziram o ritmo de expansão ao longo do período. Já em 2023, o setor voltou a registrar retração, refletindo o enfraquecimento do consumo, o aumento do endividamento das famílias e o avanço da digitalização, que reduziu a demanda por impressos físicos. Em 2024, observou-se uma estabilização em níveis baixos, com pequenas oscilações positivas impulsionadas pelas vendas online e promoções sazonais. Em 2025, surgiram sinais de recuperação moderada, sustentados pela adaptação digital das empresas e pela retomada parcial do consumo educacional. Apesar disso, o setor permaneceu instável e encerrou o ano ainda pressionado por mudanças estruturais no comportamento do consumidor, maior concorrência digital e redução contínua da demanda por produtos físicos tradicionais.

Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação

2020 O ano apresentou oscilações moderadas, com alguns meses positivos e outros negativos. Esse comportamento pode estar ligado ao início da pandemia, que aumentou a demanda por equipamentos para trabalho e estudo em casa, mas ainda com certa instabilidade no mercado. 2021 O setor mostrou um comportamento mais estável em comparação com 2020, porém ainda com variações negativas em alguns períodos. Isso indica que, apesar da adaptação ao novo cenário, o crescimento não foi constante. 2022 Seguiu uma linha parecida com 2021, com pequenas oscilações ao longo dos meses. O mercado se manteve relativamente equilibrado, sem grandes picos de crescimento ou quedas muito bruscas. 2023 Foi o ano de maior destaque. Houve um crescimento progressivo ao longo dos meses, culminando em um pico muito alto em novembro (cerca de 200%). Esse aumento pode estar relacionado à Black Friday e ao aumento das compras de fim de ano. 2024 Começou com índices bem elevados, mas apresentou queda gradual ao longo dos meses. Isso pode indicar uma correção do mercado após o crescimento forte do ano anterior. 2025 Apresentou, na maior parte do tempo, resultados negativos, indicando retração no setor. Mesmo assim, houve uma leve recuperação no final do ano, especialmente em novembro e dezembro. Conclusão A análise mostrou que o setor passou por diferentes fases ao longo dos anos, com momentos de crescimento, estabilidade e queda. O uso do Big Data ajuda a identificar esses padrões e entender melhor o comportamento do mercado, facilitando a tomada de decisões de forma mais estratégica.

Função do CRC e CFC

O CFC, Conselho Federal de Contabilidade, foi criado a mais de 70 anos tem como função principal fiscalizar o exercício profissional dos contadores, além de ajudar a preservar e ampliar o mercado de trabalho da profissão. O Conselho Federal é integrado por um representante de cada estado e mais o Distrito Federal, no total de 27 conselheiros efetivos e assim tem função de orientar, fiscalizar e normatizar o exercício contábil com o intermédio dos CRCs. O CRC, Conselho Regional de Contabilidade, através de fiscalizações exercidas pelo CFC, já que é um órgão subordinado que consegue examinar se os profissionais estão seguindo as normas técnicas estabelecidas para poder exercer a profissão.